06/07/2023
A vontade física de arregaçar as mangas e organizar a casa me atinge como um raio. Dessa vez não é uma vontade cotidiana de manter tudo nos eixos para que a rotina seja facilitada. Dessa vez é quase um instinto que vem das profundezas da alma.
Quando tudo o que era certeza fica incerto, quando o chão simplesmente não mais existe sob seus pés, há apenas vontade de arrumar tudo por dentro, retomar o controle de alguma forma.
Organizar aquilo que é material e palpável numa tentativa (obviamente falha) de organizar as frustrações, sentimentos, de ajustar expectativas.
E é aí que você percebe que para colocar tudo no lugar, primeiro precisa tirar tudo do lugar. Catalogar. Separar. Ver o que já não serve e será descartado. Ver aquilo que já está se desfazendo porque o tempo passou depressa demais. Limpar o lugar para onde aquilo que ainda serve vai ficar.
Parece simples, mas na prática é absolutamente desesperador. Você encontra coisas que não via há anos. Coisas que você queria que servissem, mas que já não servem mais. Que faziam sentido para uma versão anterior sua. Que você pensou ter jogado fora antes, mas que continua ali.
São vestígios de quem você foi um dia, das vontades que já teve, dos planos que já fez. E agora, que você está por se refazer? O que fica? O que vai? O que vai te fazer feliz porque vai manter? O que vai te entristecer porque irá partir? O que já vai tarde e se tornar livramento?
Só há uma maneira de saber: se reinventando. Testando. Mudando. Ajustando. São tantos verbos no gerúndio... No meio deles resta apenas a dor do inesperado e a esperança de que tudo eventualmente dê certo.
Se realmente vai dar certo apenas o tempo pode dizer. Enquanto busco movimento, me apoio nos caminhos que continuam os mesmos, nas músicas gravadas no meu peito, nos rostos conhecidos que trazem conforto e nas risadas sinceras que esses rostos me tiram mesmo em um momento delicado como este.
Está tudo bem. Mas está tudo esquisito.
Ainda bem que você está aqui.
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