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Mostrando postagens de 2023

11/07/2023

      Hoje estava arrumando um quarto da casa que eu quase nunca entro. Para isso, abri a janela para deixar entrar um pouco de sol, liguei minhas músicas favoritas e comecei a arrumação.     Em um milissegundo em que parei para observar o andamento do meu trabalho, vi de canto de olho, pela janela, um ônibus descendo uma rua íngreme, ao longe na paisagem.     Imediatamente fui transportada para o ano de 2013. Morava em outra cidade, em uma rua íngreme e cheia de árvores como a que estava vendo, por onde também desciam ônibus apressados como aquele que estava passando.     Aqui dentro o tempo presente diante do meu próprio passado descendo a rua, junto com o ônibus.     O contraste é tremendo. São exatos 10 anos de diferença. Eu tinha todo o meu futuro pela frente e estava me preparando para colher os frutos que estava plantando.     Alguns frutos já foram comidos, outros apodreceram, alguns nem vingaram. Olho para dentro ...

10/07/2023

      Você acredita na ideia de que quase tudo nessa vida tem, por trás, um significado próprio? Não, não estou falando de misticismo nem algo assim, estou falando de simbologia.     Desde sempre fomos atraídos por formas que se repetem para representar a realidade. Símbolos estiveram em paredes de cavernas, vasos, tumbas, pergaminhos etc. desde que começamos a viver em comunidades.     São uma forma de comunicar e expressar sentimentos e pensamentos por imagens (literais ou figuras de linguagem).     Sempre me apeguei à símbolos, numa tentativa de compreender os sinais que o universo nos manda. Buscar significados em animais, estrelas, planetas, cores, cheiros, sempre foi algo recorrente durante minhas adolescência.     Logo esse hábito se mostrou proveitoso. Quando fui fazer Letras, era muito simples fazer análises críticas literárias. No teatro sempre pude jogar dicas sutis sobre meus personagens usando a simbologia em figurinos....

07/07/2023

       Acordei muito antes do despertador. A insônia é uma das minhas melhores amigas desde sempre. Desde criança aprendi que ela só quer um pouco de atenção.      Dei a atenção que ela queria: não acendi as luzes, como ela gosta, fui para a sacada procurar a lua. Lá estava ela. Linda como sempre. Fechei os olhos e senti a brisa gelada de inverno percorrer meu rosto, meus braços e minhas pernas desnudos. Senti aquele arrepio que a insônia gosta. Voltei a deitar-me.      O contraponto entre o frio da brisa e o quentinho da coberta sempre diverte meu corpo. Meus pés são sempre os últimos a esquentar. No momento em que cedem, volto a dormir.      Dessa vez desperto com um som diferente. Depois de quase quatro anos morando aqui e muita atenção, já sei quais pássaros cantam nesse horário. Há um canto diferente. Saio correndo depressa e abro a porta com cuidado para não espantar o dono da melodia. Não é o canto da andorinha. ...

06/07/2023

       A vontade física de arregaçar as mangas e organizar a casa me atinge como um raio. Dessa vez não é uma vontade cotidiana de manter tudo nos eixos para que a rotina seja facilitada. Dessa vez é quase um instinto que vem das profundezas da alma.      Quando tudo o que era certeza fica incerto, quando o chão simplesmente não mais existe sob seus pés, há apenas vontade de arrumar tudo por dentro, retomar o controle de alguma forma.      Organizar aquilo que é material e palpável numa tentativa (obviamente falha) de organizar as frustrações, sentimentos, de ajustar expectativas.      E é aí que você percebe que para colocar tudo no lugar, primeiro precisa tirar tudo do lugar. Catalogar. Separar. Ver o que já não serve e será descartado. Ver aquilo que já está se desfazendo porque o tempo passou depressa demais. Limpar o lugar para onde aquilo que ainda serve vai ficar.      Parece simples, mas na prática é...